De agora em diante, os alagamentos em SP serão atribuídos ao Haddad

Publicado originalmente no portal da Carta Maior.

De agora em diante, os alagamentos em SP serão atribuídos ao Haddad

A imprensa oficial da oposição tem um método peculiar de tratar os grandes problemas do estado e da cidade de São Paulo.

A culpa é dos governos do PT, quando na Prefeitura (Marta e Haddad), e de São Pedro, quando é o PSDB ou DEM que governa (Alckmin, Serra e Kassab).

Durante todo o período dos governos do PSDB e do DEM, os inúmeros alagamentos foram tratados como de responsabilidade das chuvas, à exceção de matéria da Folha, mostrada adiante. Nunca dos governantes lenientes, que não fizeram as obras e gestões necessárias para impedi-los.

Pois bem, agora, com apenas um ano e dez meses de governo Haddad, a Folha de São Paulo vem furiosa em cima do Prefeito do PT, para insinuar que a culpa dos alagamentos, que sempre ocorrem neste período, é dele, que só entregou menos da metade das obras prometidas (clique aqui).

Se este não for um período de menor pluviosidade, os alagamentos se multiplicarão, infernizando ainda mais a vida do paulistano e dos visitantes, que já sofrem com os apagões da água potável e do trânsito.

Isto porque são históricos os alagamentos em São Paulo, neste período, fruto da leniência dos sucessivos governos, desde o início do século XX, mas especialmente dos governos tucanos. A única matéria que mostra a incompetência do Serra, como governador, e de Kassab, como prefeito, para lidar com esse problema está na matéria do site Folha.com, em 8/3/2011:

O fato é que grande parte da responsabilidade é do governo do estado. A forte impermeabilização na sub-bacia do Tietê, sem as necessárias obras de macro-drenagem, previstas mas não realizadas adequadamente, aliadas à insuficiente gestão dos recursos hídricos têm o carimbo do governo do estado.

À prefeitura coube construir os piscinões e mantê-los desobstruídos, assim como a manutenção da rede de drenagem. Entretanto, se a Prefeitura fizer a sua parte e o governo do estado não, a situação só piora, pois as águas não terão como escoar até o destino final.

Em março de 2011, O governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou R$ 273,5 milhões em investimentos para combater as enchentes na Grande São Paulo. As medidas deveriam, segundo ele, reduzir a frequência dos alagamentos na cidade. Ressaltou que essas obras complementariam outro pacote de investimentos anunciados anteriormente atingindo um total de R$ 558 milhões.

Até o final de 2011, deveriam estar prontos diques na marginal Tietê próximos às pontes Aricanduva, Vila Guilherme, Vila Maria e Limão. Também se comprometeu a construir cinco novos piscinões, nas regiões de Guarulhos, Mauá, São Bernardo do Campo e Vila Prudente.

O início dessas obras foi adiado para 2013. Em setembro de 2013, o governo anunciou que ficariam prontas até dezembro. Somente em março de 2014, foi colocado em operação o primeiro desses diques, na Vila Maria. Sobre os demais não há notícia.

Sobre planos de macro-drenagem, é importante ressaltar a responsabilidade do Departamento de Águas e Energia Elétrica- DAEE que é o órgão gestor dos recursos hídricos do Estado de São Paulo.

Em 1998, foi elaborado pelo DAEE o 1º. PDMAT (Plano Diretor de Macrodrenagem da Bacia do Alto Tietê).

Em 2008, foi realizada a primeira revisão do Plano Diretor de Macrodrenagem – que levaria ao 2º PDMAT também sob a coordenação do DAEE e nos mesmos moldes do anterior. Novamente, o mesmo objetivo: obter os caminhos mais adequados para a minimização das inundações e, numa fase final, a solução.

O Plano Diretor de Macrodrenagem encontra-se atualmente em sua segunda revisão, portanto na sua terceira versão – o PDMAT 3 -, iniciada em 2011. Essa versão, além da revisão e atualização dos planos anteriores, corresponde a uma ampliação de escopo do plano, abrangendo agora toda a Bacia do Alto Tietê.

Não temos informações sobre o que foi realizado destes três planos diretores de macrodrenagem. Só encontrei esta apresentação sobre o que seria o PDMAT 3 e nenhuma avaliação ou relatório de execução. Como se sabe, o governo do estado de São Paulo é um dos menos transparentes em relação aos seus planos, projetos, obras e resultados.

O fato é que nada mudou. Os frequentes alagamentos não mostram evolução positiva alguma. Ao contrario, estão cada vez maiores, inclusive após o momento de maior pluviosidade.

Portanto, não é para acreditar no que será martelado pela imprensa, nos próximos meses, de que a culpa pelos alagamentos em São Paulo é do Haddad. Não é, nem pode ser, como tentei fundamentar.

Sugiro que o prefeito monte uma equipe de monitoramento sobre o que o governo de São Paulo está fazendo ou deixando de fazer, nesse tema, para enfrentar, com informações, as inúmeras matérias que serão veiculadas contra ele. Além disso, deve cobrar a ação do governo do estado, sempre que possível, com a máxima visibilidade.

José Augusto Valente – especialista em infrestrutura

As polarizações não dão conta das mudanças de imaginário. Entrevista especial com Ivana Bentes

Publicado originalmente no site do Instituto Humanitas Unisinos.

“A primeira coisa que chama atenção na eleição presidencial de 2014, que deu a vitória apertada à presidente Dilma Rousseff, é a profunda ingerência de uma Mídia-Estado na cultura política”, afirma a pesquisadora.

Os discursos de que o Brasil está dividido pós-eleições presidenciais, por conta da diferença de 3% entre a presidente reeleita e o candidato de oposição, não explica a eleição de 2014, avalia Ivana Bentes em entrevista à IHU On-Line. “Não podemos falar de um Brasil partido em dois pós-eleições, mas de uma constelação de interesses e desejos que expressam grupos e segmentos múltiplos”, enfatiza. Segundo ela, “a partição binária não serve a ninguém. É mais um ‘meme’ e uma narrativa redutora, polarizadora e conservadora. O mapa das eleições é muito mais mesclado e instável que o ‘muro’ que querem erigir entre nordestinos e sulistas, ou a polarização entre dois partidos, PT e PSDB”. Apesar de a leitura de um país dividido ser equivocada na opinião da pesquisadora, ela frisa que a polarização e a “narrativa do embate não desapareceu”, tampouco “os conflitos de classe”. Embora a divisão apareça em alguns pontos, “essa dualidade não dá conta, em termos simbólicos, das mudanças que o país sofreu e da mobilidade subjetiva dos muitos”, enfatiza.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, Ivana Bentes responde algumas das perguntas da IHU On-Line, com ênfase em uma análise do discurso tanto da mídia, que ela denomina de “Mídia-Estado”, quanto das redes sociais. “Durante algum tempo acreditamos que as redes sociais enterrariam revistas como a Veja, pois com uma mídia-multidão as denúncias seriais e campanhas podem ser desconstruídas com a velocidade e sagacidade dos muitos. Mas as redes também podem produzir e reproduzir o mesmo discurso de ódio, racismo, intolerância”, pontua.

Para ela, “é fato que o estilo Veja e o ‘ódiojornalismo’ acabaram contaminando parte das redes sociais (por galvanizar sentimentos e crenças enraizados em um ambiente profundamente desigual e conservador)”. Contudo, pontua a professora de Jornalismo, as redes, diferente de veículos como a Veja, “antecipam as crises e tratam dela com humor e escracho, podendo neutralizá-la ou diminuir seu estrago”.

Ivana explica o apoio dos movimentos sociais à reeleição de Dilma ao “reconhecimento (mesmo que tardio) dos temas das Jornadas de Junho de 2013, à crise da representação, à democratização da mídia, à centralidade da cultura na virada de imaginário e na mudança da cultura política”. A presença do ex-presidente Lula nas eleições, “de forma pragmática e simbólica”, também contribuiu para a reeleição da presidente Dilma e “recolocou o lulismo na linha de frente desta guinada à esquerda da campanha de Dilma”.

Pós-eleições, com a reeleição de Dilma, Ivana frisa que “é preciso fazer o embate com uma direita anacrônica que acha que estamos à esquerda demais e para uma esquerda que acha que ainda estamos muito à direita e que está ‘tudo dominado’. É preciso uma virada de imaginário para sair desses dualismos e qualificar a palavra mágica ‘mudança’ que atravessou todos os partidos e candidatos com sentidos distintos”.

Ivana Bentes é professora e pesquisadora da linha de Tecnologias da Comunicação e Estéticas do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. É doutora em Comunicação pelaUFRJ, ensaísta do campo da Comunicação, Cultura e Novas Mídias. É coordenadora do Pontão de Cultura Digital da ECO/UFRJ.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Qual sua avaliação do resultado das eleições presidenciais deste ano?

Ivana Bentes – A primeira coisa que chama atenção naeleição presidencial de 2014, que deu a vitória apertada à presidente Dilma Rousseff, é a profunda ingerência de uma Mídia-Estado na cultura política, associada com arcaísmos e anacronismos de um pensamento conservador que atravessa os mais diferentes grupos e classes sociais. O resultado das eleições e os discursos de ódio que afloraram não se explicam simplesmente “partindo” o Brasil entre ricos e pobres ou muito menos entre regiões. É hora de entender a porosidade e penetrabilidade desses discursos duais de demonização do outro, minando um amplo campo social, e perceber novos imaginários emergentes.

Chegamos ao clímax de uma campanha eleitoral que reflete uma cultura de criminalização que produz uma ativa rejeição da política, apresentada cotidianamente em narrativas midiáticas que ficcionalizam as notícias e novelizam a política, com reiteradas associações da política e dos políticos com corrupção, ilegalidade, traições, intrigas. Uma memética negativa que afasta e despolitiza os muitos do que realmente está em jogo: interesses econômicos, especulação contra a vida, a privatização das riquezas, o moralismo e conservadorismo em que assujeitam minorias e diferenças.

A fábrica de fatos e a produção da opinião pública

Essa cultura do “ódiojornalismo” e o estilo Veja também aparecem na retórica dos articulistas e colunistas de diferentes jornais e veículos de mídia que formam hoje uma espécie de “tropa de choque” ultraconservadora (Arnaldo Jabor, Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo, Merval Pereira, Demétrio Magnoli, Ricardo Noblat, Rodrigo Constantini, são muitos), que alimentam uma fábrica de memes de uma ultradireita que se instalou e trabalha para minar projetos, propostas, seja de programas sociais, seja de ampliação dos processos de participação da sociedade nas políticas públicas, seja de processos de democratização da mídia e todo o imaginário dos movimentos sociais.

Essa demonização da política tornada cultura do ódio se expressa por clichês e por uma retórica de anunciação de uma catástrofe iminente a cada semana nas colunas dos jornais e que retroalimentam, com medo, insegurança, ressentimento, uma subjetividade francamente conservadora de leitores e telespectadores.

Se lermos os comentários das notícias e colunas nos jornais (repercutidos também nas redes sociais), vamos nos deparar com um altíssimo grau de discursos demonizantes, raivosos e de intolerância, à direita e agora também à esquerda. Trata-se de uma redução do pensamento aos clichês, memes e fascismo, extremamente empobrecedora, mas incrivelmente eficaz.

Essa pedagogia para os microfascismos e a educação para a intolerância podem ser resumidos na retórica que desqualifica e aniquila o outro como sujeito de pensamento e sujeito político, o que fica explícito na fala de alguns colunistas.

Um exemplo muito claro, inclusive no seu cinismo, é este trecho de uma coluna do Arnaldo Jabor de 28/10/2014, pós-eleições. Com uma argumentação pueril e assujeitante que coloca eleitores, nordestinos e nortistas, pobres como “absolutamente ignorantes sobre os reais problemas brasileiros”, em um cenário pós-eleições em que “nosso futuro será pautado pelos burros espertos, manipulando os pobres ignorantes. Nosso futuro está sendo determinado pelos burros da elite intelectual numa fervorosa aliança com os analfabetos”.

Numa coluna anterior, de 14/10/2014, podemos ver como funciona essa pedagogia calcada na construção de memes e clichês, a obsessão anacrônica por Cuba e agora pelo “bolivarianismo” e o caráter ameaçador que se dá a qualquer política pública contemporânea e modernizante que tenha como horizonte a participação social:

“— Qual é o projeto do PT? — Fundar uma espécie de bolivarianismo tropical e obrigar o povo a obedecer ao Estado dominado por eles. — Que é bolivarianismo? — É um tipo de governo na Venezuela que controla tudo, que controla até o papel higiênico e carimba o braço dos fregueses nos supermercados para que eles só comprem uma vez e não voltem, porque há muito pouca mercadoria.”

Trata-se de metáforas primárias, mas capazes de se difundir velozmente em um “semiocapitalismo” para usar a expressão do ativista e pensador italiano Franco Beraldi, inspirada em Félix Guattari, que tem como base signos, imagens, enunciados que giram velozmente, viralizam, comovem. Essa é a base tanto do ativismo, da publicidade social, quanto do pensamento conservador. A questão é como desconstruir esses clichês e trabalhar para que essas mudanças em curso se massifiquem a ponto de se tornarem um novo comum.

De certa forma foi o que vimos em relação aos programas sociais. Não será possível desmontá-los e desqualificá-los como se imaginava, pois o acesso aos programas tem dois vieses: a entrada da chamada classe C ao mundo do consumo, como consumidores simplesmente, mas ao mesmo tempo uma politização do cotidiano, com a percepção de si como sujeito de direitos e com uma interface com o Estado que não se reduz ao negativo, carência e insuficiência de serviços.

A próxima desconstrução massiva da mídia se dará em torno das noções de “participação popular”, “liberdade de expressão” e “controle social”, buscando construir uma valoração negativa e associá-las a um projeto autoritário de“menos democracia” e de restrição de direitos, quando se trata justamente de redistribuir poder simbólico e capital midiático pelos muitos. Uma operação que está em curso e que busca articular: políticas de regulação da mídia com“censura” de conteúdos.

IHU On-Line – Como avalia as discussões políticas via redes sociais?

Ivana Bentes – Os discursos de ódio que assolam o país (uma construção em curso desde 2002 e alimentada midiaticamente no caso do antipetismo) contaminaram também parte da militância governista e de forma difusa contaminaram as redes e as ruas em embates reais e simbólicos. Sem dúvida, trata-se do resultado de um processo em curso que passa pela judicialização da política, mas que inclui muitas outras indignações, inclusive as dasJornadas de Junho de 2013 contra os partidos e os processos verticais de governos e Estados. Um discurso represado contra a corrupção, que foi explorado à exaustão pela mídia e que desde as Jornadas de Junho surge no que tem de libertador, mas também de hipócrita e moralista, um discurso de viés conservador.

A Mídia-Estado produz e gerencia subjetividades, excitando e medindo forças com a sociedade, com as redes, com muitos conectados e desconectados e teve, nessa eleição, um caráter, eu diria que até épico, uma inflexão e temperatura que intensificou a percepção dos muitos do que podemos chamar de midiocracia, o governo das mídias.

O jornalismo padrão Veja como paradigma

Se analisarmos nessa eleição o grau de ingerência das mídias e o que chamei, na falta de uma palavra melhor, de“ódiojornalismo”, galvanizando microfascismos e comportamentos antidemocráticos, podemos entender os mecanismos de produção de crise. Foi o caso da intervenção da Veja, nessas eleições, entre outros acontecimentos que precisam de algum tempo para serem avaliados. Como pudemos acompanhar no projeto Manchetômetro, que mede o número e destaque de matérias negativas para os diferentes candidatos e o número de escândalos e seu tempo de exposição na mídia.

Nas análises da campanha presidencial de 2014, o site “Manchetômetro” chama atenção para o devir-Veja do noticiário brasileiro, com destaque para a Folha de São Paulo, para o que chamou de “Folha padrão Veja”, em que “Dilma foi campeã de chamadas e manchetes negativas por quase todo período de campanha”.

Na ecologia das mídias que se retroalimentam, a Folha chegou a publicar um material noticiando a ausência de repercussão da capa da Veja sobre as acusações do doleiro a Lula e Dilma. “Jornal Nacional não menciona reportagem”, de 25/10/2014.

Sabemos que uma revista como a Veja é motivo de piada em todos os Cursos de Comunicação do país, não apenas pelo nível de distorção e editorialização de suas capas, mas como exemplo de um singular negócio. A moeda da Veja e de parte da mídia nunca foi o jornalismo, mas a “produção de crise” e sua capacidade de produzir instabilidade política e destruir reputações. Essa é sua única moeda: a ameaça de produção de crise e o restabelecimento da “estabilidade”.

Durante algum tempo acreditamos que as redes sociais enterrariam revistas como a Veja, pois com uma mídia-multidão, as denúncias seriais e campanhas podem ser desconstruídas com a velocidade e sagacidade dos muitos. Mas as redes também podem produzir e reproduzir o mesmo discurso de ódio, racismo, intolerância.

É fato que o estilo Veja e o “ódiojornalismo” acabaram contaminando parte das redes sociais (por galvanizar sentimentos e crenças enraizados em um ambiente profundamente desigual e conservador). Vemos hoje o leitor típico de Veja multiplicado e repetindo ou produzindo esse jornalismo de ódio, numa subjetividade denuncista/fascista. Ao mesmo tempo, para além da desconstrução da retórica “fait divers” da Veja e desconstrução do denuncismo como “negócio”, as redes antecipam as crises e tratam dela com humor e escracho, podendo neutralizá-las ou diminuir seu estrago.

Foi o que vimos nas capas antecipadas nas redes parodiando a capa denúncia da Veja contra Dilma e Lula, na sexta-feira dia 24 de outubro. Utilizaram o humor como anticorpos para uma denúncia bomba produzida para desestabilizar as eleições. Trata-se da expressão da inteligência coletiva, que neutraliza o truque conhecido e aguardado derretendo a suposta “bala de prata” dessas eleições antes mesmo de ela ser disparada.

A chegada nos Trending Topics – TTs da hashtag ‪#‎deseperodaVeja‬‬‬‬‬ denunciando e desconstruindo a denúncia do doleiro contra Dilma e Lula teve um efeito impactante e de amortecimento do golpe midiático. A resposta de Dilma Rousseff no seu programa eleitoral denunciando a manobra, o direito de resposta no próprio site da Veja, obtido junto ao TSE, a não repercussão da capa da Veja no Jornal Nacional da sexta-feira formaram uma onda de repúdio e descrédito em torno da operação golpista, notícia que não deixou de ser superexplorada pelos adversários de Dilma Rousseff.

Ainda no campo da análise dos discursos, é preciso dizer que todo o poder de fogo de Veja se concentra na capa, peça over editorializada e peça em que investem todo o impacto emocional, estético (anunciam previamente nas redações e contam com a cumplicidade do restante da mídia para repercuti-la mimeticamente). No episódio dessas eleições, a capa se resume a uma frase de um doleiro pinçada de um processo.

Ação e Reação. O escracho contra a sede da Abril

Dentro da revista, o conteúdo da capa é pífio sempre. Tudo se resume a três linhas: “O Planalto sabia de tudo — disseYoussef. — Mas quem no Planalto? — perguntou o delegado. — Lula e Dilma — respondeu o doleiro. (….) O doleiro não apresentou — e nem lhe foram pedidas — provas do que disse”, conclui a “reportagem”, explicitando o próprio blefe. Aposta-se em uma capa editorializada e em uma frase não comprovada para tentar desestabilizar uma eleição. A maioria das pessoas também só lê as manchetes das primeiras páginas, a disputa se dá aí, pois atuam formando os memes negativos, associando pessoas, partidos e ações a crimes, ilegalidade, insegurança. A estratégia se repete a ponto de não mais surtir o efeito esperado.

Ainda na sequência do golpe malsucedido de Veja, vimos da reação com uma ação de “escracho” da União da Juventude Socialista – UJS, com pichação e lixo jogado na fachada da Editora Abril. Uma ação que poderia ter custado a eleição de Dilma, por confrontar diretamente a mídia e criar uma solidariedade com a Veja. O fato de o TSEter dado direito de resposta à Dilma neutralizou parte do impacto negativo do golpe e contragolpe. Acho legítimas as ações de escracho, revolta e indignação que produzem danos simbólicos, um grande debate nas Jornadas de Junho de 2013 que envolveu as ações Black Blocs e que vemos que vieram para ficar na linguagem das ruas. Mas a ação do escracho na porta da Abril, legítima, foi no limite do “timing” e poderia ter selado uma reação furiosa em defesa das corporações de mídia, o que felizmente não aconteceu.

O Jornal Nacional da Globo fez a crônica da Veja, da UJS e do TSE de forma razoavelmente equilibrada no dia 25/10, véspera das eleições, para quem esperava o “apocalipse” (mais um golpe de mídia) e um alinhamento automático daGlobo com a Veja nesse episódio. Dilma manteve a vantagem na pesquisa do Ibope e ganhou as eleições por uma diferença apertada de pouco mais de três milhões de votos. Mas não antes de enfrentar um último boato nas redes: que o doleiro delator, que passou mal em meio a tantas reviravoltas, tinha sido envenenado pelo PT e agonizava em um hospital! Chegamos num nível bem alto de novelização dos fatos, um tipo de narrativa com vilões, mocinhos, vítimas e algozes que tem enorme penetração no imaginário e nas redes, que funcionam como veneno e antídoto, desconstruindo e produzindo memes e clichês.

Esse tipo de acirramento na disputa política introduz uma lógica dual e de confronto violento, pessoal, engajado e mobilizador, pois a “épica” e narrativa criada traz um componente de despolitização, que desloca a argumentação, o embate de ideias, para um confronto meramente afetivo/emocional, como nos jogos de futebol e comportamento das torcidas organizadas; o que aproxima ainda mais a política da ficção, do teleshow da realidade e da lógica melodramática das narrativas novelescas, populares no Brasil. Como politizar a comoção e os afetos? Esse me parece um desafio para o ativismo e para a formação política.

O debate em torno da democratização dos meios de comunicação chegou a um limite no Brasil. Temos a Lei de Meiosna Argentina, avanços no debate no Uruguai, no México. No Brasil, a Reforma da Lei Geral de Comunicaçõessegue obstruída mesmo sendo uma demanda e reivindicação de todos os movimentos sociais e culturais. Com a massificação das redes sociais, o midiativismo, a proliferação de pontos de mídia e de uma miríade de contradiscursos, o enxameamento da mídia-multidão começamos a experimentar uma outra deriva, mas insuficiente se não se auto-organizar e se constituir como uma outra cultura de redes, capaz de reagir e neutralizar os microfascismos cotidianos.

IHU On-Line – A reeleição apertada de Dilma demonstra um país dividido? 

Ivana Bentes – O embate agônico entre “torcidas” partidárias resultou ao final dessas eleições em um recorrente discurso da partição, do muro, do dualismo, do binarismo, de um país conflagrado. Esse discurso do Brasil “partido” pós-eleições não explica essa eleição de 2014. Vimos pessoas que migraram do ativismo e das mobilizações deJunho de 2013 ao voto em Aécio Neves (inclusive intelectuais de renome que apoiaram Marina Silva no primeiro turno e seguiram a candidata apoiando Aécio), mas particularmente os que estavam nas ruas por uma indignação difusa contra o sistema representativo e os partidos e que conectaram o sentimental de “mudança” com o marketing da mudança do candidato do PSDB. Uma associação que Marina Silva capitalizou no primeiro turno, com a mesma ambivalência.

Vimos uma população que criticou as ruas por produzirem crise votar em Dilma, por medo e receio de que as manifestações de Junho fossem um complô da direita para desestabilizar o governo. Uma leitura equivocada da radicalidade e insurgência dos desejos. Vimos a oposição (em geral fratricida) formar um campo de esquerda solidário sustentando as encostas para evitar a enxurrada conservadora que desce destruindo o construído. Destacamos aqui o apoio de lideranças do PSOL, como Marcelo Freixo, eleito com uma votação histórica de 350.408 votos e Jean Wyllys, que reivindicou um compromisso da candidata Dilma com as questões LGBT e com as minorias e populações indígenas.

Vimos uma real politização da disputada Classe C (a classe dos “batalhadores” sem partido, ou desorganizados) se posicionando claramente em defesa das suas conquistas, refletidas no dia a dia. Vimos essa mesma classe Cidentificada com os valores conservadores do racismo, preconceito, moralismo.

Vimos a expressão assustadora de uma classe média raivosa e anacrônica, repetidora dos clichês mais primários construídos pela Mídia-Estado. Um “ódio ao PT” identificado como ódio aos pobres, nordestinos, etc. Vimos a defesa da elite dos seus privilégios e uma esquerda perguntando “onde erramos”? Vimos os que se abstiveram, anularam e se retiraram taticamente do jogo, por exaustão, recusa, repúdio das regras do jogo.

Não podemos falar de um Brasil partido em dois pós-eleições, mas de uma constelação de interesses e desejos que expressam grupos e segmentos múltiplos. O trabalho, depois de um intenso embate, é potencializar e politizar, organizar e construir movimentos, coletivos, organizações, bases menos maniqueístas e dualistas. Redistribuir riquezas e não aprofundar o fosso.

A partição binária não serve a ninguém. É mais um “meme” e uma narrativa redutora, polarizadora e conservadora. O mapa das eleições é muito mais mesclado e instável que o “muro” que querem erigir entre nordestinos e sulistas, ou a polarização entre dois partidos, PT e PSDB. A narrativa do embate entre “ricos e pobres” não desapareceu, e nem os conflitos de classe, mas essa dualidade não dá conta em termos simbólicos das mudanças que o país sofreu e da mobilidade subjetiva dos muitos.

Discursos

Sobre a retórica presente nos discursos de Aécio Neves, destacamos além da captura (mesmo que marqueteira e superficial) do legítimo desejo de mudança e uma equiparação entre “mudança” e “alternância de poder”, e ainda mudança e futuro. Mas o batido chavão do candidato que olha para o “futuro” e se apresenta como seu fiador não convenceu uma parte do eleitorado que votou com base na sua percepção do presente e sem fantasiar ou imaginar futuros alternativos radicais em relação aos programas e experiências bem-sucedidas.

Qual o lastro de “mudança” e “futuro” nas propostas e projetos apresentados por Dilma? Esses 12 anos fizeram história e tem um presente urgente e um horizonte, um projeto em disputa. O futuro, na campanha de Dilma, surge como um presente estendido e turbinado, melhorado. Enquanto os eleitores de Aécio Neves votaram em programas que desaprovam e combatem ativamente (Bolsa Família, Prouni, cotas), a partir de argumentos insustentáveis (bolsa-esmola, meritocracia, etc.) e que Aécio Neves afirmava que iria “continuar” para agradar aos demais eleitores, sem nenhuma outra proposta alternativa aos programas. Com o agravante de o PSDB ter tentado desqualificar todos os projetos sociais do governo. Estranha equação!

IHU On-Line – Que avaliação faz dos movimentos sociais nessas eleições, inclusive daqueles que criticaram o governo e acabaram por apoiar a reeleição de Dilma?

Ivana Bentes – O que vejo de mais positivo nesta eleição foi o retorno dos movimentos sociais e culturais na disputa do projeto do governo, com uma multidão que, mesmo insatisfeita, foi para as ruas. A pressão para uma guinada à esquerda e a retomada de políticas interrompidas resultou na entrada de Juca Ferreira na coordenação do Programa de Cultura de Dilma. Em torno dele formou-se uma rede que colocou a presidente em diálogo (em atos, comícios, cartas, declarações e posicionamentos) com a pauta trazida por jovens das periferias, do hip hop, do funk, do passinho, com projetos sociais e culturais vindos das favelas; que recolocou na cena o debate em torno dos Pontos de Cultura, da banda larga, da cultura digital, da criminalização da homofobia, da Reforma Política.

O reconhecimento (mesmo que tardio) dos temas das Jornadas de Junho de 2013, a crise da representação, a democratização da mídia, a centralidade da cultura na virada de imaginário e na mudança da cultura política, me parecem que efetivamente impactaram de forma decisiva para o engajamento e a ida de militantes, ativistas, participantes de uma frente de esquerda (PT, PSOL, PCdoB, etc.) que chegaram não apenas com um “voto crítico”, mas com apoio e capital simbólico e de credibilidade (MTST, MST, Reitores de Universidades públicas, professores, cineastas, Pontos de Culturas, médicos, cotistas, etc. que se expressaram em centenas de manifestos).

De forma pragmática e simbólica, a presença do ex-presidente Lula nessas eleições, subindo em palanques e atos, recolocou o lulismo na linha de frente dessa guinada à esquerda da campanha de Dilma. Lula, mais do que ninguém sabe que só nos resta a virada de imaginário e reconhecer que sem uma reaproximação com as ruas, sem as bases e o diálogo com os movimentos sociais e culturais, não tem PT e não tem mística que segure os retrocessos com um Congresso tão conservador que reelegeu Bolsonaro e Feliciano e uma eleição que deu ao PMDB o governo de sete estados, contra cinco do PT e cinco do PMDB.

Lula apontou nas suas falas o que vimos a presidente reeleita expressar no seu discurso: “Dilma precisa sair do isolamento nos próximos quatro anos e se reaproximar dos políticos, dos empresários e dos movimentos sociais”. Cabe ainda destacar a carta divulgada pela presidenta Dilma aos indígenas na sua campanha: “Carta aos Povos Indígenas do Brasil“, em resposta à Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB, se comprometendo com pautas e questões trazidas por lideranças indígenas. Trata-se de um dos pontos mais críticos do seu governo e que envolvem embates com as forças mais retrógradas deste país: “Hoje, todos sabemos, existem desafios na esfera jurídica para podermos avançar na demarcação das terras indígenas no país, principalmente nas regiões Centro-Oeste, Sul e Nordeste. Temos que enfrentar e superar estes desafios, respeitando a nossa Constituição”.

Os canais ficaram obstruídos nos últimos anos, os estragos e erros foram grandes em alguns campos, como o da questão indígena e o debate ambiental. É um enorme desafio dos movimentos e do governo, que depende de articulação e pressão.

A questão da Cultura é decisiva porque no “semiocapitalismo”, o capitalismo cognitivo, capitalismo que tem como valor a informação, a comunicação, os afetos, o modo da produção cultural (a precariedade, a informalidade, a autonomia) são as próprias formas do trabalho contemporâneo, as formas gerais do trabalho. Nesse sentido, a cultura hoje é um processo transversal que impacta nas formas de produção de valor em todos os demais campos.

Podemos, partindo da cultura e do MinC, por exemplo, repensar questões decisivas como a valorização, apoio, sustentabilidade dos Pontos de Cultura, Pontos de Cultura Indígenas, ações de formação dos movimentos urbanos, novas redes de produção audiovisual, de mídia, dos povos tradicionais, cultura digital, etc. É um erro o governo não olhar para esse campo como estratégico, como lugar de desenvolvimento, produção de valor e radicalização da democracia. Cultura não é mais um “setor”, é um processo transversal e decisivo.

IHU On-Line – Recentemente a senhora postou um texto que iniciava com a seguinte declaração: “Eu voto porque somos ingovernáveis”. O que subentende nessa afirmação?

Ivana Bentes – Não vejo contradição nem oposição aos processos que levam das ruas às urnas e vice-versa, são complementares. Por isso temos que votar e lutar. Somos ingovernáveis, no sentido de que o processo representativo, as eleições, não podem ser o objetivo e nem o ápice do processo participativo. As redes são velozes e instituíram uma outra temporalidade e polifonia na política. Precisamos saber navegar e tomar decisões com base na ruidocracia. Os muitos tornaram-se visíveis e querem participar da vida política.

Essa participação pode ser pelas urnas, mas pode ser pelas ruas e redes também, de forma autonomista, por que não? Caminhamos nas redes e movimentos para a organização autogestionada, a organização de ação direta. Nesse sentido, a experiência de intensa participação nas redes sociais massifica, dissemina, difunde, prepara para a democracia direta, plebiscitária, em tempo real, que amplia o poder de decisão e intervenção dos muitos. Trata-se de uma mudança intensiva, de intensidade na participação, que a meu ver não tem volta.

O pânico da participação, de um Congresso e Parlamento em grande parte anacrônico e conservador, é sintoma da crise dos intermediários que assolou diferentes campos. Crise da intermediação, quando milhares de pessoas passam a exercitar a governança nas redes, da mesma forma que buscam processos desintermediados na produção cultural (crise das gravadoras, editoras, disputa nas redes com as mídias corporativas fordistas) e ascensão de uma cultura de redes que tem como horizonte a autonomia e a liberdade (“faça você mesmo”), a conectividade e o coletivo como valor.

Fica claro nessas eleições a crise da passagem entre modelos distintos. A cultura política baseada na democracia representativa (que não se esgotou totalmente, mas emerge na sua insuficiência) e a cultura de redes. O sintoma do anacronismo na política passa pela tentativa de criar estados de exceção, como o insistente golpismo da direita, pedindo “impeachment” de Dilma, antes mesmo de a eleição acabar e um estado permanente de crise, “amanhã será pior!” A antecipação continuada de crises produz medo e incertezas, constrange e despotencializa.

Temos exemplos concretos de práticas midiáticas de antecipação e produção de crise e instabilidade como controle. Lembro dos seres sensitivos que antecipam crimes no filme Minority Report. No Brasil foram desbancados pelos seres que antecipam golpes. Antes mesmo da reeleição da presidente Dilma, Merval Pereira, na sua coluna de O Globo de 24/10/2014, já pedia o seu “impeachment” por possíveis crimes futuros! Merval trabalha e cava para achar as “condições para incluir a atual e o ex-presidente em um processo criminal”. E ameaça, “nesse caso, o impeachment da presidente será inevitável”. Como disse sobre a Veja e serve para O Globo, a moeda da mídia é a ameaça, a chantagem, a produção de instabilidade e a produção de crise. Jornalismo é apenas o nome do genérico que embala o real negócio.

Mas as bordas conectadas balançam as redes e desestabilizam os velhos centros de poder. Os pré-cogs, os sensitivos da democracia, também visualizam futuros alternativos e algumas tags inspiradoras que neutralizam os videntes golpistas: Lei de meios, Lei Geral de Comunicações, Direito de Resposta, Regulação da Mídia, Pontos de Mídia Livre, Cultura de Redes e a Democratização das verbas publicitárias do próprio governo, dinheiro público investido nas grandes corporações de mídia e que poderia fortalecer a nova ecologia midiática das redes.

Estamos falando de um Estado-Rede, aberto aos movimentos e às críticas; é hora de se pensar em grandes frentes parlamentares de defesa de pautas e projetos, independente de partidos ou de eleição, o que importa é organizar e fortalecer os movimentos e conseguir vitórias públicas para os muitos. Os que foram às ruas para eleger a presidentaDilma podem voltar às ruas para exigir essa virada de imaginário e participação.

Vimos nesse processo eleitoral a explosão dos discursos de ódio e entre eles o racismo, que, como mostra Foucault, é a condição sob a qual podemos exercer o direito de matar, de humilhar, de assujeitar, expondo ao risco determinados tipos de sujeitos e comportamentos, impondo a morte política, a expulsão dos territórios, a rejeição. Estamos vendo o crescimento desses discursos de ódio, com pedidos até de “intervenção militar” dos que perderam as eleições, numa tentativa de enfraquecer a democracia. O que é paradoxal e inédito pós-ditadura militar. Esses discursos de ódio, de racismo, não são, portanto, uma regressão e nem a sobrevivência de um passado arcaico, mas o produto de uma Mídia-Estado e de processos contemporâneos de biopoder e de gestão da vida.

IHU On-Line – Como avalia o discurso de uma nova política nas campanhas políticas?

Ivana Bentes – O debate e o discurso em torno de uma “nova cultura política” me parece decisivo, e Marina Silvasoube capitalizar esse sentimento no primeiro turno, mas não o sustentou nem na teoria e nem na prática. Por isso sua explosão nas urnas nos remete a um tipo especial de “viral” que é o termômetro das comoções e afetos. Digo viral e mesmo um “meme” eleitoral pensando que as eleições têm um componente simbólico e de “narrativa” que ultrapassa em muito qualquer racionalidade ou matemática eleitoral. Marina tinha a melhor narrativa, da seringueira da floresta alfabetizada aos 17 anos que por um golpe do destino teve a candidatura à presidência jogada no seu colo. Mas não sustentou a candidatura e nem o debate para além da comoção memética, pois revelou ter os piores defeitos e incoerências de Dilma Rousseff em relação aos temas comportamentais como o aborto, as drogas, o casamento gay. Como poderia ser uma alternativa aos sem voto ou aos que foram para as ruas em junho de 2013 com esse perfil conservador no campo do comportamento?

A questão ambientalista que Marina trouxe também é decisiva e desejável para uma mudança de mentalidade política. Mas o seu projeto ambientalista não se definiu nem como antidesenvolvimentista. Suas pautas acabaram soando como simples remediação dentro de um “capitalismo verde”, sem força e/ou desejo de nomear e fazer o embate com o agronegócio, por exemplo.

Obviamente que o governo Dilma foi pífio em relação às questões ambientais e indígenas. Mas a questão se estende aos demais partidos e projetos: Que tipo de governabilidade um partido como o PSB e mesmo o PSDB teria que negociar, já que a eleição presidencial não muda a configuração over conservadora do Congresso?

Marina acabou se revelando a expressão de uma elite empresarial e de certo “capitalismo verde”, da “responsabilidade social”, o equivalente aos ecobags, o consumidor verde que acha que já faz muito por não usar saco plástico descartável no supermercado ou por comprar a cenoura orgânica do Marcos Palmeira (também acho ótimo, mas insuficiente e paliativo), sem encarar a questão dos transgênicos, por exemplo, e do agronegócio.

Potências e limites do atual governo Dilma

O desenvolvimentismo fordista de Dilma e a sustentabilidade “flex” da economia verde dos aliados de Marina são igualmente insuficientes e insustentáveis. Um é a remediação e complemento paliativo do outro. A palavra “sustentabilidade” aponta para mudanças de modelo mais radicais e profundas que não apareceram em nenhum dos programas.

Ao mesmo tempo, a presidenta Dilma, mesmo atuando dentro da “velha política”, tem um legado e capital simbólico de mudança e ruptura agindo, um projeto inacabado e em curso. O que Lula/Dilma fizeram (contra toda uma elite midiática e conservadora, contra uma parte da classe média preconceituosa e voltada para seu umbigo) com o Bolsa Família, a expansão das universidades públicas, as cotas, teria de ser feito para neutralizar os ruralistas, para mudar o sistema de segurança e de mídia. Ou seja, intervir e mudar as velhas forças conservadoras, o que vem ao encontro do desejo de governança e participação.

O PT e o governo não souberam polinizar e espraiar o que de radicalmente novo trouxeram com essa participação e rede de movimentos em torno do projeto popular. Temos que entender que “nova política” não é uma palavra mágica, é lutar contra as forças mais pernósticas deste país: ruralistas, mídia corporativa e agentes da (in)segurança pública. O Estado brasileiro não vai desbaratar essas forças sozinho e nem “de dentro”. Ou bem essas forças arcaicas de especulação contra a vida se tornam intoleráveis socialmente, ou não tem governo, partido ou candidato que as vença. Mas sem dúvida temos mais chances de fazer essa mudança a partir do campo da esquerda do que reafirmando os valores retrógrados de uma elite conservadora.

A “nova política” passa por essa indignação que marcou as Jornadas de Junho de 2013, passa pela crise da democracia representativa, mas não prescinde dela, passa pela demanda de participação e cogestão do Estado, mas também o fortalecimento de processos autonomistas, de autonomia e liberdade, de fabulação de mundos e de virada de imaginário.

O que entendo como “nova política” no Brasil não é só olhar para frente, mas instaurar processos de reparação, o que inclui também o que o governo Lula/Dilma teve coragem de fazer: aumentar o salário mínimo no Brasil (que a direita dizia que ia quebrar o país), fazer a PEC das empregadas domésticas, afrontando a Casa Grande na sua mentalidade escravocrata, dando existência política aos remanescentes dos quilombos, com o reconhecimento das terras quilombolas, aprovando a Lei Cultura Viva para os Pontos de Cultura e o Marco Civil para a Internet, entre tantas viradas políticas decisivas. Mas claro que isso não basta e é preciso construir futuros alternativos aos que temos hoje, diante da crise ambiental, indígena, crise de paradigmas e modelos.

A polêmica da participação social

A polêmica (induzida pela Mídia e pelos derrotados nas eleições presidenciais) criada em torno do decreto daParticipação Social proposto pelo governo indica como os conservadores criam memes e clichês de neutralização dos avanços, colocando as mudanças necessárias dentro da configuração fantasiosa de um “bolivarianismo tropical” ou “golpe comunista”.

Tornar lei “participação” é o embrião para um Estado-rede aberto à cogestão da sociedade. Não podemos esquecer que no auge das manifestações e da crise de 2013, a presidente Dilma acenou com uma Constituinte para fazer aReforma Política, e a mídia corporativa veio em peso acusar o governo de “venezuelização”, golpe, mudança das regras do jogo, e o governo recuou. Agora que reelegemos Dilma, os movimentos sociais têm que cobrar não só aReforma Política, mas um real diálogo com os movimentos sociais. Os parlamentares que votaram contra o Decreto da participação são anacrônicos, entendem participação como “reserva de mercado” para os poucos representantes no Congresso.

É preciso ampliar a participação, mas enquanto a direita diz que estamos entrando na era do “bolivarianismo tropical” com Dilma reeleita, certa esquerda coloca todo e qualquer retrocesso na conta do governo, de forma igualmente redutora. A direita acreditando que representação é um “cheque em branco” que você assina nas eleições e lava as mãos. Certa esquerda fazendo o discurso da sacralização das ruas, como se, sozinhas, as ruas e movimentos pudessem derrotar as forças obscurantistas mais arraigadas que especulam contra a vida. A real é que não se trata de escolher entre as ruas ou as urnas, mas ruas e urnas e mais centenas de ações, práticas e movimentos autonomistas e autogestionados contra o retrocesso. São muitas as formas de participação. O Plano Nacional de Participação Socialapenas consolida o que já estava previsto em parte na própria Constituição, como os conselhos populares.

É preciso fazer o embate com uma direita anacrônica que acha que estamos à esquerda demais e para uma esquerda que acha que ainda estamos muito à direita e que está “tudo dominado”. É preciso uma virada de imaginário para sair desses dualismos e qualificar a palavra mágica “mudança” que atravessou todos os partidos e candidatos com sentidos distintos.

O imaginário em torno da palavra mudança

Temos que nos apropriar e ressignificar o imaginário e desejo em torno das mudanças que tanto Marina Silva e depois Aécio Neves tentaram capturar, criando uma “nuvem” fluida e frouxa em torno dessa tag ou conectando mudança com um projeto político que é a vanguarda do atraso.

O que precisamos reafirmar é que as brechas e contradições existem dentro do próprio governo Dilma e devemos explorá-las. Não vejo como Dilma pode “continuar” sem mudar. Pois também ela se valeu do discurso da mudança.

O PT ainda é a mais completa tradução da bipolaridade esquizofrênica na política brasileira e que por isso mesmo está aberto às pressões, de todos os lados.

Quando Vladimir Safatle definiu Marina como uma “Margareth Thatcher da Floresta”, achei exagero, mas é esse personagem político que Marina assumiu. A nova política de Marina acabou com seu apoio a Aécio Neves, ao meu ver, dilapidou parte do seu capital simbólico rápido demais. Mas as questões trazidas por sua candidatura não podem ser abandonadas, são reais e importantes.

Ao apoiar Aécio Neves, candidato derrotado nessas eleições, Marina cruzou uma fronteira delicada. Desagradou e de certa forma “traiu” parte dos que foram para as ruas em 2013 pedindo mudanças. Aécio Neves tentou capitalizar o sentimento e desejo de mudanças da forma mais conservadora, com um sentimento raivoso antipetista, pouco generoso, binário e redutor em relação ao passado. Nesse sentido, o “Muda Mais” de Dilma também ainda é apenas uma carta de intenções, mas se explicitou no discurso de vitória e logo depois, ao propor a Reforma Política, acriminalização da homofobia e a regulação da Mídia.

PT e PSDB

PT e PSDB têm projetos distintos, mas são dois projetos que incorrem em um erro comum e de boa parte da direita e da esquerda atual, a crença em um progresso infinito, aceleracionista e de esgotamento dos recursos naturais em nome do “desenvolvimento”, produzindo crises estruturantes: consumismo, crise ambiental, destruição de culturas e modos de existência que resistem a esses processos de assujeitamento da vida.

Ou seja, o desenvolvimentismo selvagem não é um problema da Dilma, é o “estado da arte” de parte da sociedade brasileira e global: consumismo desenfreado, especulação contra a vida, margem de lucros exorbitantes que passa por cima de culturas e direitos. Só uma forte pressão dos movimentos sociais quebra esse modelo. Só uma mudança de mentalidade vai expurgar essas forças de morte e desmandos arcaicos do país.

As questões continuam e não têm respostas fáceis. Temos que lutar para que o atual sistema partidário, inclusive ogoverno Dilma, incorpore as pautas e questões urgentes que emergiram nas ruas. Temos que sair do infantilismo político e purista que é o compromisso atávico com o inviável, pois a governança e a democracia direta vão brotar da remediação e ruptura com o atual sistema partidário.

Acho de um equívoco sem tamanho o discurso antipetista que quer a todo custo “o PT fora do poder”, mas também os que defendem a todo custo o governo. Os governistas são um atraso para discutirmos, criticarmos e pressionarmos governos “de dentro” deles. Criticar e exigir mudanças não como inimigos, mas como aliados.

Votei em Dilma Rousseff porque acredito na possibilidade de tensionar seu governo por fora e por dentro. Quem precisa de políticas públicas não pôde se dar o luxo de arriscar mais retrocessos. Quem precisa de políticas públicas nos transportes, na saúde, banda larga, políticas para a juventude e para as minorias, votou na continuidade de um projeto que em 12 anos teve resultados concretos, como tirar o Brasil do mapa da fome — é muito e é muito pouco!

Aclasse C quer mais direitos e mais políticas públicas que potencializam a vida, potencializem a sua cultura e jeito de estar no mundo, não apenas ser consumidora, por isso a classe dos “batalhadores” (linda expressão que foi decisiva nessa eleição). A Marina falou para uma classe média e para uma elite liberal com pautas que Dilmasubestimou. Aécio Neves despertou os microfascismos de toda sorte, numa reorganização do campo conservador noBrasil: ódio aos nordestinos, ódio e desqualificação da política, ódio aos petistas, ódio ao processo eleitoral. O legítimo desejo de mudança deve ser capturado para aprofundar os processos democráticos, e não interrompê-los, neutralizá-los.

Votei em Dilma Rousseff porque acredito que as ruas são ingovernáveis e temos que lutar contra a financeirização da vida, seja de onde for, e vejo que partindo da cultura pode-se reinventar o Brasil, transformando precariedade em potência. Não é fácil, dentro de um ambiente político hostil e cenário econômico difícil, mas o que nos move são as dinâmicas dessa própria luta que ressignificam o presente urgente e inventam futuros alternativos.

Dilma deixou a desejar no diálogo com a sociedade, diz ministro

Publicado originalmente no site da BBC Brasil.

Dilma deixou a desejar no diálogo com a sociedade, diz ministro

Chefe da Secretaria-Geral da Presidência, responsável pela ponte entre o Palácio do Planalto e os movimentos sociais, o ministro Gilberto Carvalho afirma que a presidente Dilma Rousseff se afastou dos “principais atores na economia e na política” nos últimos quatro anos.

“O governo da presidenta Dilma deixou de fazer da maneira tão intensa, como era feito no tempo do (ex-presidente) Lula, esse diálogo de chamar os atores antes de tomar decisões. De ouvir com cuidado e ouvir muitos diferentes, para produzir sínteses que contemplassem os interesses diversos”, afirma Carvalho.

Em entrevista à BBC Brasil, na qual fez um balanço dos últimos quatro anos de governo, o ministro admite ainda que a atual gestão “avançou pouco” em demandas de movimentos sociais, sobretudo nas reformas agrária e urbana e na demarcação de terras indígenas.

Segundo ele, “faltou competência e clareza” ao governo para avançar na questão indígena, e em alguns episódios a gestão deu “tiros no pé”.

Ele defendeu, no entanto, o envio da Força Nacional de Segurança para reprimir protestos de indígenas contra a construção da usina de Belo Monte e disse que, se necessário, a mesma postura será adotada no rio Tapajós, no Pará, onde há planos de erguer mais hidrelétricas nos próximos anos.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista, concedida na quinta-feira no Palácio do Planalto, em Brasília.

BBC Brasil – Em seu primeiro discurso após ser reeleita, a presidente prometeu ampliar o diálogo com a sociedade. Foi um reconhecimento de que o governo falhou nessa área?

Gilberto Carvalho – A fala da presidenta estava voltada para a necessidade de reunificação do país, porque uma campanha eleitoral deixa sequelas. Mas houve deficiências, é verdade. O governo praticou o diálogo nesses anos, mas, para o padrão da sociedade brasileira hoje, há muito que fazer.

BBC Brasil – Em que pontos?

Carvalho – Sobretudo no diálogo com os principais atores na economia e na política. O governo da presidenta Dilma deixou de fazer da maneira tão intensa, como era feito no tempo do Lula, esse diálogo de chamar os atores antes de tomar decisão – de ouvir com cuidado, e ouvir muitos diferentes, para produzir sínteses que contemplassem os interesses diversos. Há uma disposição explícita da presidenta em alterar essa prática.

BBC Brasil – Movimentos sociais também se queixam da falta de diálogo.

Carvalho – Não faltou diálogo, o que faltou no caso dos movimentos sociais foi o atendimento das demandas. A reforma agrária e a questão indígena avançaram pouco. A reforma urbana – as estruturas de funcionamento das cidades, a mobilidade urbana – também não foi o que os movimentos esperavam.

BBC Brasil – Como avançar nesses temas?

Carvalho – Uma parte compete à presidenta. É ela que deve receber no gabinete as forças dos diversos setores da sociedade. Se o presidente pratica mais diálogo, induz o conjunto do governo a praticar.
Para o atendimento das demandas, tem de fortalecer alguns órgãos de governo. No caso da reforma agrária, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). No caso da política indigenista, a Funai (Fundação Nacional do Índio). Isso implica aumentar o orçamento, fazer concurso, comprar terrenos, indenizar quem está em terra indígena.

BBC Brasil – A Funai está sem presidente efetivo desde junho de 2013, e o governo paralisou todas as demarcações de terras indígenas. Por que crer que nos próximos quatro anos a política indigenista mudará?

Carvalho – No final do governo, fizemos uma avaliação com a presidenta e ela própria expressou que temos que avançar. Para ela são duas preocupações: a reformulação da saúde indígena e a demarcação, mudando a lei e colocando no orçamento recursos para indenizar famílias que estão em terras indígenas.
Nosso foco é sobretudo os guarani kaiowá e os terenas no Mato Grosso do Sul, onde a stuação é de miséria absoluta, morte, suicídio.

Agora não se pode deixar de reconhecer que cresceu muito, e infelizmente só tende a crescer mais, uma resistência ideológica e econômica fortíssima à questão indígena, que se representa fortemente no Congresso.

BBC Brasil – O governo não colaborou para fortalecer essa resistência quando a Advocacia Geral da União (AGU) publicou a portaria 303, ampliando as restrições ao reconhecimento de áreas indígenas, ou quando a Casa Civil anunciou que outros órgãos, como a Embrapa, passariam a atuar nas demarcações? Foram tiros no pé?

Carvalho – Foram tiros no pé, sim. A 303, particularmente. No caso da Casa Civil, na gestão da ministra Gleisi (Hoffmann), temos que reconhecer que houve sinais trocados que não favoreceram.

BBC Brasil – O governo também não alimentou essa resistência ao se aliar a políticos tidos como adversários dos índios, como a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO)?

Carvalho – Atribuir essa culpa ao governo é um absurdo. A direita cresce porque cresce. O partido da Kátia Abreu está na nossa base. Se eu restringir minha base àqueles que pensam como nós, não aprovamos nenhuma lei. Fazer aliança significa trabalhar com o adversário, digo, com o diverso.

Em nenhum momento foi por conta da Kátia Abreu que deixamos de avançar. Não avançamos porque faltou competência e clareza. Mas não dá para dizer que não foi feito nada.

BBC Brasil – O que foi feito?

Carvalho – Foram demarcadas algumas terras e foram feitas duas desintrusões históricas (a expulsão de não índios das terras indígenas Marãiwatsédé, em Mato Grosso, e Awá Guajá, no Maranhão). Enfrentamos inclusive forças do Congresso. Fui chamado duas vezes na Comissão de Agricultura para levar pancada.

Além disso, iniciou-se uma discussão sobre como resolver conflitos. Uma coisa é você homologar a terra munduruku, uma das maiores do país, no sul do Pará, onde não tinha conflito nenhum. Outra coisa é no Mato Grosso do Sul, onde o próprio governo levou gente lá e titulou essas pessoas.

Isso gera um problema enorme, porque a lei não permite indenizar desapropriações em terra indígena. Teremos que alterar a lei.

BBC Brasil – O governo tem usado a Força Nacional para reprimir protestos contra grandes obras, como em Belo Monte. Não há outra forma de lidar com essas resistências?

Carvalho – Acho que houve erros em Belo Monte no processo de implantação da obra, no ritmo das compensações e tal. Agora, quando você mantém um diálogo permanente – e instalamos lá uma casa de governo para dialogar – e se apela para ocupação de uma obra que tem interesse nacional, é dever do Estado enviar todos os esforços para que a obra retome o ritmo. Estamos com uma crise energética no país que não é pequena e temos de realizar Belo Monte.

BBC Brasil – A mesma postura valerá para as usinas que o governo quer erguer no rio Tapajós, no Pará? Há queixas de que o governo não está cumprindo a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (que exige que índios sejam consultados sobre obras que os afetem).

Carvalho – Estamos com uma equipe lá tentando fazer a implementação da 169, mas há uma sabotagem sobretudo da parte de entidades.

BBC Brasil – Que entidades?

Carvalho – Não vou dizer. Ontem nosso companheiro ligou dizendo que os índios ficam constrangidos, porque querem dialogar, mas têm medo das entidades, que determinam um comportamento para eles. Estamos numa situação difícil.
É uma intervenção numa área onde o Estado está muito ausente. Um dos erros de Belo Monte foi o Estado não chegar antes da construção e suas consequências. Mas não abriremos mão de construir Tapajós.

A consulta não é deliberativa. Ela deve ser feita para atender demandas, diminuir impactos, mas não é impeditiva.

BBC Brasil – O que acha do pedido do Ministério Público para que ribeirinhos também sejam consultados sobre a obra? Eles serão ouvidos?

Carvalho – Serão. Não vejo nenhum problema.

BBC Brasil – A oposição cresceu no Congresso e há hoje ali um clima hostil ao governo. Como farão para aprovar as reformas prometidas?

Carvalho – Há uma repercussão ainda do processo eleitoral. Quando janeiro chegar, as coisas não serão iguais. A composição ministerial vai levar em conta a necessidade de contemplar essas forças no Congresso.

Outro aspecto é a governabilidade social. A eleição mostrou o quanto a militância social está disposta a ir para a luta. É um fator que teremos de trabalhar para fazer avançar processos, sobretudo a reforma política. Se não tiver rua, se não tiver mobilização, não tem nenhuma esperança de passar nesse Congresso.

BBC Brasil – O novo governo começará em meio a um novo escândalo de corrupção, agora na Petrobrás. Teme os desdobramentos do caso?

Carvalho – Quem já conviveu nesses últimos nove anos com esse clima não tem o que temer. Teria que temer se tivesse algum envolvimento da Dilma ou do Lula na história. Como não tem, vamos administrar isso como fizemos outras vezes.

Política para drogas

BBC Brasil – A população carcerária no Brasil explodiu nos últimos anos por causa da repressão ao tráfico de drogas, mas a violência não diminuiu. Por que o governo não considera rever essa política?

Carvalho – O tema das drogas é de muito difícil abordagem. Estamos acompanhando a experiência do Uruguai. Ninguém ainda tem muita segurança. Enquanto a população não amadurece uma posição, o governo não tem condição de tomar essa ou aquela decisão de cima para baixo.

Sei do absurdo que é prender um moleque carregando um pouco de erva e jogá-lo na Papuda (presídio no Distrito Federal), mas não sinto no governo nenhuma iniciativa de enfrentar isso nos próximos quatro anos.
Violência policial

BBC Brasil – O que acha da proposta de desmilitarizar a polícia?

Carvalho – Tenho enorme simpatia, mas é questão pessoal minha. Nos marcos de uma reforma política, de uma reforma do Estado mais ampla, acho que teremos de enfrentar o tema. Mas não acho que desmilitarizando tudo estaria resolvido. A tortura nos cárceres não é feita pela PM, mas pela polícia civil.

BBC Brasil – Por que o governo nunca se posicionou contra a violência policial da mesma forma com que condenou o vandalismo em protestos?

Carvalho – Em nenhum momento, nas minhas falas ou nas da presidenta, eu vi omissão. Tanto que pessoalmente tive um problema ao fazer uma crítica aberta à PM de Brasília, quando houve aqui uma manifestação dos sem-terra. Fui alvo de tentativa de chamada no Congresso e de recados muito duros da PM.

Nós criticamos a violência das manifestações porque entendíamos que ela conspirava contra as próprias manifestações.
Crise da água e agenda ambiental

BBC Brasil – Pesquisadores dizem que a crise hídrica que enfrentamos é também uma crise ambiental. O governo, porém, manteve fortes incentivos à indústria automobilística e tem estimulado grandes investimentos em combustíveis fósseis, na exploração do pré-sal. O governo não precisa atualizar sua agenda ambiental?

Carvalho – Precisa. No caso da água em São Paulo, há um problema ambiental, mas também a ausência de obras. Mas a agenda ambiental que a meu juízo temos de atualizar diz respeito à questão urbana. Ao fortalecimento do transporte coletivo e à diminuição do estímulo ao transporte individual.

Do ponto de vista da matriz energética, temos de investir na diversificação. Na questão do desmatamento, na conversão para o orgânico e o agrobiológico. Temos um programa para que se universalizem essas práticas, inclusive no latifúndios. Precisamos tornar essas fórmulas economicamente rentáveis. Temos que romper a barreira de que o Brasil é o maior consumidor de defensivos (agrotóxicos) do mundo.

BBC Brasil – Isso não contradiz a estratégia atual do governo de conceder empréstimos cada vez maiores a grandes produtores de matérias-primas agrícolas, que fazem amplo uso de transgênicos e agrotóxicos?

Carvalho – Pelo contrário, você pode usar o financimento como forma de reduzir os juros de quem empregar técnicas menos ofensivas à natureza.

BBC Brasil – Já conversou com a presidente sobre onde estará nos próximos quatro anos?

Carvalho – Não. Ela não está falando com ninguém sobre isso.

BBC Brasil – Continua no governo?

Carvalho – Preciso trabalhar, eu acumulei experiência. Se ela me convidar a ficar no governo, eu vou ficar.

BBC Brasil – Há quem diga que o senhor pode ir para Funai ou para alguma embaixada no exterior.

Carvalho – Só se for no Afeganistão (risos). Falando sério: qualquer ministro aqui na Esplanada que falar qualquer coisa, estará falando bobagem.

Minicom elabora relatório de transição para próxima equipe em 2015

Originalmente publicado no portal do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação

Minicom elabora relatório de transição para próxima equipe em 2015

Escrito por: Teletime
Fonte: Instituto Telecom

Mesmo com a presidenta Dilma Rousseff reeleita, a equipe do ministro Paulo Bernardo está preparando uma movimentação de transição para preparar terreno para os possíveis novos integrantes do Ministério das Comunicações em 2015. Para tanto, será criado um relatório com o andamento de projetos, como o Regime Especial de Tributação para o Plano Nacional de Banda Larga Popular (RE-PNBL), assim como propostas que seriam encaminhadas pela nova equipe, como a revisão dos contratos do Serviço de Telefonia Fixa Comutada (STFC) e o projeto de Banda Larga para Todos, apresentado na campanha à reeleição e que visa levar fibra a mais cidades brasileiras.

“Todos os ministérios estão fazendo relatórios de transição para entregar para a nova equipe, eu até vi hoje que vai ter um site com essas informações para deixar claro como vai ser transição, porque vai ser a mesma presidenta, mas vai ter uma transição, um novo governo que vai ser instalado dia 1º de janeiro”, afirmou Bernardo na noite da segunda-feira, 3, durante premiação da Momento Editorial em São Paulo. Ele assegura que ainda não sabe se continuará no cargo ou não, reconhecendo que Dilma deverá “primeiro resolver a nova composição dos ministérios da área econômica e os ministérios palacianos (da Casa Civil, Secretaria de Relações Institucionais e Secretaria Geral), para depois se debruçar sobre a composição dos ministérios em maneira geral”.

O ministro explica que a presidenta encomendou a preparação para o projeto Banda Larga para Todos, que visa levar mais infraestrutura de fibra para municípios afastados – segundo um levantamento do Minicom, 47% das cidades brasileiras têm rede ótica chegando ao município, e a meta é chegar a 90%, ou “todos onde forem viáveis”. “Temos algumas iniciativas que ela vai escolher, mas a ideia dela é colocar dinheiro, orçamento público, para promover o desenvolvimento da banda larga principalmente entre os de menor renda”, declara Bernardo. “Ela tem várias alternativas e não sei se (escolherá uma) para este ano, acredito que no ano que vem.”

Sobre a ideia de revisão de contratos do STFC, o ministro afirma que já conversou sobre isso com a presidenta Dilma Rousseff, mas que também ainda não há decisão. “De qualquer maneira, vai ser feita uma revisão de contrato no ano que vem, isso está na Lei, de cinco em cinco anos o contrato de telefonia fixa tem revisão. Pode ser no âmbito das cláusulas do contrato, metas de universalização da telefonia fixa, ou pode ser algo mais aprofundado – que é o que eu defendo, que é incluir a Internet”, destaca. A proposta havia sido defendida por ele em outubro, durante a Futurecom.

Quando perguntado se isso significaria uma tendência de uma licença única para todos os serviços de telecomunicações, como na proposta enviada ao Congresso da Argentina na semana passada, Paulo Bernardo reconheceu que isso, “sim, seria uma boa para nós”, mas que não é algo para curto prazo. “Mas aí exige mais regulamentação da Anatel. Ela estuda esta questão há bastante tempo, acho que vai evoluir nos próximos anos”, defendeu.

Consolidação

Bernardo afirma que está acompanhando os rumores pela imprensa, mas que não há nenhuma informação oficial sobre eventual transações de consolidação do mercado nacional. Ele cita os pedidos de esclarecimentos realizados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) às operadoras na ocasião da especulação de formação de um consórcio para a suposta compra da TIM fatiada. “Tem movimentação no mercado financeiro, gente querendo estimular negócio, tem gente que ganha com corretagem de negócios, acho que é normal, mas é um aspecto muito negativo e chamou a atenção da CVM por conta da oscilação muito grande”, declara. Mas reforça: “Não estamos sabendo de nada, estamos só observando o que está acontecendo”.

Da mesma forma, o ministro se abstém de comentar sobre o interesse do grupo francês Altice nos ativos da Portugal Telecom. “Isso é lá na Europa, estamos apenas de olho”, diz.

Carta de Comunicadores de Sergipe em apoio à reeleição de Dilma Rousseff

Com_SE

Mais comunicadores declaram em manifesto voto para a reeleição de Dilma Rousseff. Agora foi a vez do pessoal de Sergipe publicar carta explicitando o apoio.

Carta de Comunicadores de Sergipe em apoio à reeleição de Dilma Rousseff

Somos um grupo de jornalistas, radialistas, publicitários, relações públicas, produtores audiovisuais, comunicadores comunitários, populares, demais categorias de trabalhadores e estudantes de Comunicação de Sergipe que, no próximo dia 26 de outubro, irá votar pela reeleição de Dilma Rousseff.

O nosso voto em Dilma se justifica pelo passado, pelo presente e pelo futuro do Brasil. Não queremos o passado de altos índices de desemprego, baixos salários, privatização dos serviços públicos, ampliação das desigualdades, retirada de direitos trabalhistas e dependência política e econômica frente a outros países e ao Fundo Monetário Internacional. Passado que tinha o PSDB, de Aécio Neves, no Governo Federal.

Queremos o Brasil do presente, que é o Brasil da redução da miséria e da pobreza extrema, da inclusão social, da distribuição de renda, do acesso da juventude trabalhadora à universidade, da política externa independente e com autonomia econômica. Esse Brasil do presente é o Brasil governado por Lula e por Dilma.

Na nossa área, a comunicação, também temos diferenças claras entre o PSDB e o PT. No governo FHC, tivemos a privatização das telecomunicações. Aécio Neves, quando Governador de Minas Gerais e Senador, censurou e perseguiu jornalistas, ferindo o direito da população mineira a uma imprensa livre. Por outro lado, no Governo Lula foi criada a Empresa Brasil de Comunicação, constituindo a rede nacional de comunicação pública. E Dilma, em seu governo, fortaleceu a mídia regional com a ampliação dos meios de comunicação que recebem recursos de publicidade oficial.

Por isso, comparando o passado com o presente, comparando Aécio com Dilma,comparando o PSDB com o PT, não temos dúvidas: queremos um futuro com mais mudanças. Queremos um futuro com mais direitos para os trabalhadores, com mais inclusão, com mais distribuição de renda, com mais reformas. Queremos um futuro com mais avanços na área das comunicações, com a democratização do setor, por meio de um novo marco regulatório, de modo a termos a garantia da diversidade e do pluralismo na mídia brasileira.

Por isso, o nosso voto é em Dilma. É ela quem pode, nos próximos quatro anos, dar continuidade e aprofundar as mudanças que o Brasil do presente atravessa e que o Brasil do futuro precisa!

Sergipe, 23 de outubro de 2014, a três dias da reeleição de Dilma Rousseff

1. Adelvan Barbosa, comunicador e produtor cultural

2. Adriana Lohanna dos Santos, comunicadora popular

3. Aida Brandão, jornalista

4. Alberto Santos, comunicador popular

5. Alexsandra Gomes, comunicadora popular

6. Aline Braga, jornalista

7. Amaral Cavalcante, jornalista e poeta

8. Ana Assunção, jornalista

9. Ana Carolina Westrup, publicitária

10. Andréa Menezes, comunicadora popular

11. Antonio Dantas, comunicador popular

12. Aparecida Amado, comunicadora popular

13. Arthur Pinto, realizador audiovisual

14. Baruch Blumberg, realizador audiovisual

15. Benalva Silva, comunicadora popular

16. Bruno Balbino, jornalista

17. Carlos André Lima Santos, comunicador comunitário

18. Carlos Cauê, jornalista e publicitário

19. Caroline Rejane Santos, jornalista

20. Celio Silva, comunicador comunitário

21. César Bolaño, jornalista e professor de pós-graduação em comunicação

22. Cristiano Leal, jornalista e professor de comunicação

23. Cristiano Santos, comunicador social

24. Damião Feitosa, comunicador social

25. Débora Melo, jornalista

26. Diego Oliveira, jornalista

27. Dilson Águia, comunicador popular

28. Edivania Freire, jornalista

29. Edmilson Balbino, comunicador social

30. Edmilson Brito, jornalista

31. Eduardo Lins, jornalista

32. Elisângela Valença, jornalista

33. Elizangelo Santos, comunicador popular

34. Eloísa Galdino, comunicóloga

35. Emanoel Aleixo, comunicador social

36. Emilly Firmino, estudante de comunicação social

37. Evanilson Santana, comunicador popular

38. Felipe Silva, comunicador popular

39. Fernando Cabral, radialista

40. George Silva, jornalista

41. Givaldo Costa, comunicador popular

42. Glauco Vinícius do Nascimento, jornalista

43. Gleice Queiroz, jornalista

44. Graziele Ferreira, cineclubista e produtora cultural

45. Higor Ferreira, comunicador social e estudante de artes

46. Irineu Silva, comunicador popular

47. Ivan Kelleros, publicitário

48. Iracema Corso, jornalista

49. Jéssica Maria Araújo, produtora audiovisual

50. João Alves, comunicador comunitário

51. João Augusto Freitas, jornalista

52. Joanne Mota, jornalista

53. Joana Tânia da Silva, comunicadora social

54. Joyce Peixoto, jornalista

55. Kátia Paim, jornalista

56. Lelê Teles, jornalista, roteirista e publicitário

57. Luana Guedes Capistrano, jornalista

58. Luciana Oliveira, realizadora audiovisual

59. Luiz Fernando, comunicador popular

60. Lu Silva, editora de imagens

61. Marcela Prado, jornalista

62. Marcelo Rangel Lima, jornalista e gestor cultural

63. Marco Vieira, fotojornalista

64. Marcos Luduvice, jornalista

65. Maria Ivone dos Santos, relações públicas

66. Mario Cesar Pereira, radialista, publicitário e professor universitário

67. Mario Jureia Santos, comunicador popular

68. Matheus Felizola, professor de pós-graduação em comunicação

69. Maycon Carvalho, comunicador comunitário

70. Michele Tavares, jornalista e professora de comunicação

71. Milena Santana, comunicadora popular

72. Noel Lino dos Santos, jornalista

73. Oswaldo Vilela, publicitário

74. Paloma Abdallah, jornalista

75. Paulo Eduardo Ribeiro, publicitário e estudante de jornalismo

76. Paulo Sousa, jornalista

77. Paulo Victor Melo, jornalista

78. Pedro Carregosa, jornalista

79. Rafael Matos, graduando em Comunicação Social/Jornalismo

80. Renata Martins, comunicadora social

81. Renato Nogueira, radialista e jornalista

82. Roberto Amorim Ferreira, comunicador comunitário

83. Rosana Gomes, comunicadora social

84. Sandra Cavalcante Bezerra, programadora visual

85. Sonia Aguiar, jornalista e professora universitária de comunicação

86. Tarcila Olanda, jornalista

87. Thaty Meneses, radialista

88. Thiane Araújo, social media e estudante de comunicação

89. Valter Lima, jornalista

90. Vanderley Silva, comunicador popular

91. Vinicius Andrade, jornalista

92. Werden Tavares, realizador audiovisual

93. Ytamara Feitosa, comunicadora social

94. Zezito de Oliveira, comunicador popular

Manifesto de jornalistas com Dilma

Jornalistas de todo o Brasil publicam manifesto em apoio a reeleição de Dilma Roussef.

Por ações governamentais que ampliem as políticas da igualdade e justiça, pela defesa dos direitos humanos, combate à corrupção e às privatizações e em defesa de reformas profundas no país, jornalistas de todo o Brasil já decidiram: é Dilma Rousseff no dia 26 de outubro. Em manifesto, os profissionais declararam apoio à reeleição da nossa presidenta.

Confira o manifesto na íntegra:

“Em 2014, quando se reivindica a recuperação da memória, verdade e justiça relativamente aos 50 anos da ditadura militar no Brasil, o país atravessa um momento decisivo da sua história. Ao lado de uma eleição presidencial e de governadores em vários estados, realizaremos uma escolha decisiva para os destinos do país no próximo período.

Vivemos um processo eleitoral no qual os donos da mídia mais uma vez mostram sua postura retrógrada, a manipulação das pesquisas busca influenciar a decisão dos brasileiros e o poder econômico mostra seu peso.

Nós, jornalistas, que lutamos pela ampliação das liberdades democráticas, por ações governamentais que ampliem as políticas da igualdade e justiça, a defesa dos direitos humanos, o combate à corrupção e às privatizações e em defesa de reformas profundas no país, como verdadeiras e democráticas reformas tributária, agrária, urbana e política, defesa do meio ambiente e das riquezas naturais do país e a democratização das comunicações, com um novo marco regulatório para o setor, não encontramos identidade da candidatura do PSDB com esta perspectiva.

Neste sentido, e na expectativa de que o próximo governo avance em suas políticas e no atendimento às reivindicações dos trabalhadores e dos movimentos sociais, nós, jornalistas que subscrevemos este manifesto, votaremos em Dilma para presidente!”

Veja os jornalistas que assinaram o manifesto em apoio à Dilma, a lista é grande:

Adalberto Diniz, Aderbal Filho, Admar Branco, Adriana David, Adriana Rodrigues,
Adriana Saboya, Adriane Canan, Adriano Augusto Carneiro da Silva, Adriano de Angelis, Adriano do Vale, Adriano Marcello Santos, Adriano Muniz, Adriano Roxton, Adroaldo Corrêa, Agildo Nogueira Jr, Aída Bueno, Alan Rodrigues Lima, Albenísio Fonseca, Alberto Perdigão, Alcilene Cavalcante, Alcimara Barcelos, Alcimir Carmo, Alcinea Cavalcante, Alcione Vanzoller, Aldenor Araújo Júnior, Aldo Escobar, Alessandro Gomes, Alessandro Varela dos Santos, Alessandro Vasconcelos Bandeira, Alexandre Costa, Alexandre Miorim, Alexandre Rogério, Alfredo Job, Aline Adolphs, Aline Barcelos, Aline Gonçalves, Aline Lokschin Heberle, Álvaro Benevenutto Jr, Álvaro Marinho, Amadeu Mêmolo, Amanda da Silva Canto, Amanda de Freitas, Amanda Miranda,Amanda S. de Miranda, Amanda Utzig Zulke, Ana Alice Nogueira, Ana Claudia Araújo, Ana Claudia Nabeiro, Ana Flávia Marx, Ana Lígia Gil Espuny, Ana Lucia Apolônio, Ana Lucia da Silva,Ana Lucia Garske, Ana Paula Aprato, Ana Paula Campos , Ana Paula V. Rogers, Ana Ribeiro, Ana Rita Mariine , Anahi Fros, Anahy Metz, Anália Feijó Köhler, Anaýde Cecília Marcarenhas Souza, Anderson Cacilhas, André Freire, André Giusti, Andréa Crisóstomo, Andrea de Freitas, Andrea Farias, Andrea Freitas, Andréa Lara, Andréa Zilio, Andrei Fialho, Andrei Lourenço,Andreia Espírito Santo, Andressa Braun, Andressa Rebonato, Andreza Sanches, Angela Marinho, Angela Rahde, Angelica Basthi, Angelina Quintana, Ângelo Fernandes, Anita Bittencourt,Anna Magagnin, Anna Peres, Antonio Brotas, Antônio Fausto Neto, Antônio Luiz, Antonio Pinheiro Salles, Arfio Mazzei, Ariane Lopes, Armando de Oliveira Lima, Armistrong Souza, Arthur Martins Fraga Filho, Audálio Dantas, Aureni Menezes, Áureo Moraes, Auxiliadora de Araújo Jorge Tupinambá, Ayoub Hanna Ayoub, Bárbara dos Anjos Lima, Bárbara Hora, Bárbara Novais, Barbara Paiva, Beatriz Britto, Beatriz Sallet, Bela Figueiredo, Belarmino Cesar G. da Costa, Benedito Teixeira, Benildes Rodrigues, Bete Jaguaribe, Beto Almeida, Beto Almeida, Bia Martau, Bianca Fellipsen, Biro Dantas, Bita Sória,Boanerges Balbino Lopes, Breno Perruci de Paiva, Bruna F.G., Bruna Fernanda Suptitz, Bruna Gandolfo, Bruna Gasbarre, Bruna Marçal Cabrera, Bruno Cruz, Caco Argemi, Caco Schmitt, Caco Villanova, Caio Teixeira, Camila da Silva Domingues, Camila Gonçalves, Camila Hermes, Camila Konrath, Camila Lima, Camille Soares, Candice Cresqui, Candida Maria R. Vieira, Cândida Oliveira, Caren Suzana Fermino, Carine Prevedello, Carla Ferreira Rocha, Carla Kunze, Carla Oliveira, Carla Ribeiro, Carla Seabra , Carlos Alberto Badke, Carlos de Jesus, Carlos Eduardo B. Aragão, Carlos Jurandir Minteiro Lopes, Carlos Leite de Oliveira, Carlos Mosmann, Carlota Medeiros, Carmen Carlet, Carmen Pereira, Carolina Maria Alves, Carolline de Assis Pedreira, Catarina Mattos, Cátia Reichow, Catiana de Medeiros, Cecília Sóter, Célia Ferreira, Celina Paiva, Célio Romais, Celso A. da Rosa, Celso Augusto Schröder, Celso da Silva Dias, Celso Vicenzi, César Fraga, César Martin, Charles Scholl, Cinthy Colares, Cintia Souza, Clarissa Collares, Clarissa Peixoto, Cláudia Correa, Cláudia Rocha, Cláudio Soares, Claudia Santiago,Cláudia Vidal, Cláudia Xavier, Cláudio Curado Neto, Claudio Schuster, Cláudio Vereza, Cláudio Wayne, Clelmo Carvalho, Cliver Campos, Clô Barcelos, Conceição Soares, Conrado Gallo,Cosette Castro, Cristiane Mohr, Cristiane Naiara Araújo de Souza, Cristina De Marco, Cristina Rodrigues, Cristine Pires , Cristine Rochol, Crystal Ferrari, Dacio Malta, Daiane Vara, Daiani Cerezer, Daisy Schio, Dal Pires, Daniel Lopes, Daniel Sampaio, Daniele Chagas de Brito, Davi Alves, David Carlos de Almeida, Dayanne Feitosa, Débora Cruz, Débora Fogliatto, Debora Marques Duarte, Deborah Lima, Deborah Moreira W. Bento Filho, Dehovan da Silva Lima, Deise Nunes, Dellano Rios, Denise Camarano, Denise Campão, Denise Mantovani, Denise Nunes, Denise Ritter, Denise Sacco, Denyse Quintas Alexópulos, Deraldo Goulart,Diana Aragão, Dica Sitoni, Diego Cabral Rosinha. Diego Sartorato, Dilson Ruas, Dinah Lopes, Dinorah Araújo, Diogo Garcia Fernandes, Divo Araújo, Dorva Rezende,Douglas Dantas, Douglas Mansur, Eberson Teodoro, Ed Blair Cavalcante Rocha, Edelberto Behs, Eden Nilo Santos, Edgar Pont, Edilson Lenk, Edna Madalozzo, Edna Pontes, Eduardo Buchhol, Eduardo Meditsch, Eduardo Seidl, Edvaldo de Almeida, Edvanildo da Cunha Lobo, Elaine Dal Gobbo, Eliana Mainieri, Eliane Silveira, Elias Machado, Eliete Ramos, Eliza Zamagna, Elizelia Almeida, Elson Faxina, Elstor Hanzen, Elton Viana, Elza Ferreira, Emanuela Lopes, Emanuelle Carvalho, Emerson França dos Santos, Emerson Machado, Emília Augusta, Emmanuel Montenegro, Enéias Forlim, Enize Vidigal, Érica Aragão, Erich Macias, Ernesto Marques, Eumar F. Silva, Evandro Baron, Evandro Luiz, Evany Sessa, Everaldo Gouveia, Evilázio Bezerra,Fabiana A. Vieira,Fabiana Caramez, Fabiana Reinholz, Fabiano Mazzini, Fábio Queiroz, Fábio Vicentini, Fabrício Porto,Fátima Côgo, Fátima Medina, Felipe Faria, Felipe Ribeiro, Felipe Samuel, Felix Valente, Fernanda Ângelo, Fernanda Cibele Oliveira, Fernanda de Freitas, Fernanda Soares Andrade,Fernando Brito, Fernando Canto, Fernando Damasceno, Fernando Rosa, Fernando Rotta Weigert, Fhilipe Augusto, Flávia Barros, Flávio Carrança, Francisco das Chagas Leite Filho,Francisco Edmar de Carvalho, Francisco Karam, Frank Maia, Fred Ghedini, Gabriel Gabardo, Gabriel Lautenschleger, Gabriele Oliveira, Gastão Cassel, Gelcira Teles, George Prudente,Germana Duarte, Germano H. Neto, Gilmar Eitelwein, Gilmar Luís Silva Júnior, Gilmar Rodrigues, Gilmara Gil, Gilson Caroni Filho , Gilson de Oliveira Rei, Gilvana Santos, Giovanni Guizzo da Rocha, Gisele Figueiredo, Gladis Ybarra, Gláucia Reggina Loriato do Nascimento, Glauco Braga, Glênio Paiva, Gleyson Pete, Graziele Corrêa, Guaracy Cunha, Guilherme Gomes, Guilherme Santos, Gutemberg Crispin; Guto Camargo, Heber Carvalho, Helena Félix, Helly Ellery, Heloise Chierentin Santi , Helton Ricardo Barreto,Henri Figueiredo, Henrique Lammel,Henrique Silvestre, Henry Soares, Hermínio Nunes, Humberto Sampaio, Iara Cruz, Inara Claro, Indianara Jacomini, Inês Simon, Ingridy Holanda, Ireno Jardim, Isabella Chedid, Isabelle Valois Cortez, Ivan Bomfim, Ivan Giacomelli, Ivan Vieira, Ivna Carla, Ivna Galvão, Ivone Cassol, Izani Mustafá, Izolda Ribeiro Jacqueline Viana, Jairo Ferreira, Jairo Sanguiné, Jamily Dantas, Janes Sousa, Jaqueline Bacques, Jeana Laura da Cunha Santos, Jeane Gomes, Jeanice Dias Ramos, Jéssica Padilha de Menezes, Jimmy Azevedo, Joana Dutra, João Barreto, João Batista de Abreu, João Brites, João Cassino, João Clésio, João Freire, João J. Oliveira Negrão, João Manoel de Oliveira, João Paulo Vieira, João Plaça, Joelma Terto, Joice Proença , Jonas Talocka, Jordana Ferreira, Jorge Alberto Lamb Japur, Jorge Anaice, Jorge Correa, Jorge Waithers, Joria Scolforo, José Antonio Silva, José Eduardo de Souza, José Francisco Schuster, José Honório Garcia Rosha, José Lima, José Luís Zasso, José Mombelli Jr, José Nunes, José Roberto Garcez, José Sóter, Josemir Medeiros da Silva, Josiane do Nascimento Picada, Josiane Teixeira Manoel, Josias Bervanger, Jucélia Fernandes, Juliana Brum, Juliana Coutinho, Juliana Gonçalves, Juliana Maria Oliveira do Amaral, Juliana Oliveira, Juliana Reis, Julio Gardesani,Julio Oliveira, Jupira Correia, Kardé Mourão, Karen Viscardi, Karina Praça, Karine Emerich, Karlos Emanuel, Katia Fonseca, Kaulit Júnior, Keila Góes, Keiliane Gomes, Kélia Jácome, Kelli Grala Dias, Kelly Teles, Kerla Alencar, Keyla Marques, Kiko Souza, Klycia Fontenele, Larissa Gould, Larissa Lacerda, Laryssa Cabral, Laura Santos Rocha, Laurenice Noleto Alves, Laurindo Lalo Leal Filho, Leandro Moreira, Leandro Porto, Leandro Schmidt, Lena Annes, Lena Azevedo, Leo Caobelli, Leonardo Araujo, Leonel A. de Aguiar, Letícia Amaral, Leticia Kiraly, Liana Lacerda, Liana Marinho, Lidi Rodrigues, Lilian Furtado, Lilian Monteiro, Lílian Parise, Linete Martins, Lisandro Lorenzoni, Lisiane Zago, Lissandra Gallo de Mendonça, Livia Barreira, Lizandra Carpes, Lorena Kubota, Lourdes Sedlacek, Luan Antunes, Luan Iglesias Ferreira, Luana Amorim, Luana Guimarães dos Reis, Luar Maria Brandão, Lucas Pondé, Lucas Rohãn, Lucia Janh,Lúcia Rodrigues, Luciana Borba, Luciana Chagas, Luciana Hioka Van Der Linden, Luciana Keller, Luciana Waclwovsky, Luciana Wernersbach, Luciane Fagundes, Luciane Franco, Luciano Alfonso, Luciano Faria, Luciara Schneid, Lucídio Gotam, Luciene Barbiero Machado, Lucio Haeser, Ludmila Pecine, Luína Palacios, Luis Eduardo Robinson Achutti, Luis Francisco Silva, Luis Henrique Silveira, Luiz Antônio Pinheiro, Luiz Antonio Spada, Luiz Avila, Lurian Silva, Magna Sousa, Maigue Gueths, Manoela de Borba, Manoela Frade, Manu Dias, Mara Cibely, Mara Cristina Barbosa, Marçal Alves, Marcela Santos, Marcell Allyson de Souza Mota, Marcelo Chaves Carota, Marcelo Menna Barreto, Marcelo Mesquita Marinho, Marcelo Miranda, Marcelo Nepomuceno, Marci Hences, Márcia Camarano, Márcia Carvalho, Márcia Catunda, Marcia Fernanda Peçanha Martins, Márcia Maria Ximenes, Márcia Quintanilha, Márcia Sarmento Ferreira,Marcia Telles, Marcio Ferreira, Marcio Leal, Márcio Leandro da Silva, Marco Antonio Filho, Marco Aurelio Barreira Mendonça, Marco da Escóssia, Marcos Alexandre Souza Gomes, Marcos Pérez, Marcus Monteiro, Marcus Ramalho, Margarete Suzano, Maria do Carmo Andrade Lima, Maria do Carmo Pagani, Maria Emilia Portella, Maria Inês Duque Estrada, Maria José Baldessar, Maria José Braga, Maria José H. Coelho, Maria Julianna Formiga, Maria Luiza Franco Busse, Maria Luiza Soares, Maria Mello, Maria Teresa Garcia, Mariana Lopes, Mariana Martinez, Mariana Mendes, Mariana Mendes, Mariana Roggero, Mariana Selerges, Mariani Batista da Silva Ferreira, Mariani da Silva Ferreira, Marileia Maciel, Marilésia Cardoso de Aguiar, Marilia Dias, Marília Poletti, Marina Chiapinotto, Marina Fillete, Marina Mota, Marina Valente, Mário Augusto Jakobskind, Mario Xavier Antunes de Oliveira, Marisa Ribeiro, Marisa Schneider,Marla Samara, Marlei Ferreira, Marlene Ramalho Furtado, Marlise Aude, Marlise de Mattos Rodrigues, Marluce Aires, Marô Silva, Marta Cioccari, Marta Dueñas, Marta Kroth, Marta Resing, Mateus Zimmermann, Matheus Terra Teixeira, Maurício Concatto, Maurício Lima, Mauro Ferreira, Max Lima, Melissa Bergonsi, Melissa Machado, Michele da Costa, Michele Fatturi, Michelle Gomes, Michelle Rusche, Miguel Anderson Costa, Miguel Jorge, Milton Luis Cunha Ribeiro, Milton Simas Junior, Mirela Maria Vieira, Miriã Isquierdo, Mirinéia Silva do Nascimento, Miro Borges, Mônica Bichara, Mônica Lucas, Mônica Oliveira, Moyssés da Silva, Muriel Catarina, Murilo Gitel, Murilo Ribeiro, Mylene Margarida, Naira Hoffmeister, Nandressa Tomazetti Cattani, Nani Mariani, Natalia Bettin , Natasha de Araújo Souza Vilaça, Nathana Simões, Naty Lima, Neiva Alves, Nelsa Amaral, Nereo Rodrigues Mendes, Neusa Ribeiro, Newton Silva, Neyara Furtado, Nice Bulhões, Nilson Lage, Nilza Scotti, Nina de Oliveira, Olga Arnt, Olívio Fernandes, Oscar Paris, Osvaldo Faustino, Osvaldo Maneschy, Osvaldo Simões,
Otacílio Grivot, Otávio de Castro, Otávio Teixeira, Patricia Araújo Cardon, Patrícia Duarte, Patrícia Ferreira, Patrícia Karan, Patricia Leal, Patricia Linden, Patrícia Mendes, Paula Coruja, Paula Guimarães, Paula Rocha Nogueira, Paulo Bruno, Paulo de Tarso Riccordi, Paulo Miranda, Paulo Paiva Nogueira, Paulo Ricardo Moraes, Paulo Roberto Botão, Paulo Verlaine, Paulo Zocchi,Pedro Aguiar, Pedro Guilherme Dreher, Pedro Haase Filho, Pedro Luiz Osório, Peter Suzano, Pinheiro Junior, Priscila Cardoso, Priscila Rodrigues, Rachel Duarte, Rafael Guimaraens, Rahisa Oliveira Lima, Raimundo Afonso, Raimundo Correia da Silva, Ramilton Farias, Ranyelle Andrade, Raquel Kothe, Raquel Martins Ribeiro, Raquel Salaroli, Raquel Wunsch, Raynna Benevides, Rebeca Santos, Regina Célia, Regina de Oliveira, Regina Deliberai, Regina Monteiro, Reginaldo Aguiar, Reginaldo Borges, Reiko Miura, Rejane Polaca Lempek, Renan Antunes de Oliveira,Renata Machado, Renata Rodrigues Lopes, Renata Stoduto, Renato Araújo, Renato Dalto, Renato Hoffmann, Renato Rovai, Rhayan Araujo, Ricardo Amanajás, Ricardo Lisbôa, Ricardo Rojas, Ricardo Stricher, Rita Cardoso, Rita Correa Garrido, Rita Escobar, Rita Paulino, Roberta França, Roberta Leite Pinto, Roberta Pelissari, Roberta Vilanova, Roberto Carlos Dias, Roberto Santos, Roberto Vieira, Robson Estrasulas, Robson Francisco Nunes, Rodiney Santos, Rodolfo Santos, Rodrigo Binotti, Rodrigo Bruder, Rodrigo Coimbra, Rodrigo Machado, Rodrigo Tardio, Romário Schettino, Romeu Finato,
Rômulo Gomes, Ronaldo Moura, Ronan Dannenberg, Rosa Blackman, Rosa Pitsch,
Rosane Borges Leite, Rosângela Bion, Rose Brogliato, Rose Nogueira, Rose Spina, Rubens Shinkai, Ruth Reis, Sabrina Carozzi Bandeira, Sabrina Lima, Sabrina Rauseo, Sales Coimbra,Salomão de Castro, Sâmara Paula, Samuel de Sousa, Samuel Pantoja Lima, Samuel Vieira, Sândala Barros, Sandra Aguiar, Sandra Cecília, Moyssés da Silva, Sandra Cecília Peradelles, Sandra Mara Fogaça, Sandra Marcia Xavier Tavares, Sandra Porciúncula, Sandra Werle, Santa Irene Lopes da Rosa, Sara Café Camurça de Aguiar, Sara Caprário, Sauanna Sampaio Siebra, Sergio Caldieri, Sérgio Cardoso, Sérgio Murillo de Andrade, Sérgio Rodrigo da Silva Ferreira, Sheila Faro, Sheila Maria Agostini, Silmara Cavalcante, Silvana Gonçalves,
Silvana Guimarães, Silvia Cavichioli, Silvia Mara Abreu, Silvia Medeiros, Silvia Pavesi, Silvio Berengani, Simão Zygband, Simone de Marco, Simone Guimarães, Simone Ramos, Socorro Aranha, Socorro Araújo, Solange Celere, Sonia Aguiar, Sonia Fassini, Sonia Regina Gomes, Stela Pastore, Stella Valenzuela, Sueli de Freitas, Suely Rewgina de Aguiar, Suzana Blass,Suzana Gomez Pohia, Suzana Tatagiba, Suzete Antunes, Suzy Leide Souza de Figueiredo, Sylvio Sirangelo, Tábita Marinho, Taline Schneider, Talita Galli, Tâmara Frota, Tamara Hauck,Tamara Lopes, Tanha Silva, Tânia Machado de Andrade, Tania Mariano, Tarcisio Mattos, Tarciso Franco, Tatiana Simões Soter, Tattiana Gonçalves, Tellé Cardim, Thaíla Cavalcante, Thais Bretanha, Thais Marques de Santo, Thelmo Scarpine, Thiago Augusto Rodrigues, Thiago Cassis, Tina Griebeler, Tinoco dos Anjos, Tita Moura, Titina Cardoso, Tupa Ferrari, Ubirajara Machado, Ulisses Nene, Ulysses Dutra, Uyara B. Sena, Valci Zuculoto, Valdete Daufemback Niehues, Valdinei César, Valmor Fritsche, Valter Bittencourt, Valter Xéu, Vander Prata, Vanessa Maia, Vanessa Pedro, Vânia Rodrigues, Vera Cardoso, Vera Damian, Vera Deisy Barcellos, Vera Lucia Sommer, Vera Perfeito, Vera Rotta, Vera Spolidoro, Verussa Veeh Ribeiro, Victor Cavagnari Filho, Viliano Fassini, Vilma Amaro, Vitor Menezes, Vitor Ribeiro, Volnei Oliveira, Volney Oliveira, Wallace de Lima Peixoto, Walmaro Paz, Walter Venturini, Wildes Lima, William Serique, Willian Assaf, Willians Barros, Wilson Carlos Braga Reis, Wladimir Miranda, Yacy Nunes, Yanko Del Pino, Yano Sérgio Delgado Gomes, Zeca Peixoto, Zelita Viana, Zilmar Borges Basilio

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