Democracia com a voz do povo: único caminho

Brasil unido por mais democracia

A sexta-feira dia 13 de março de 2015 ficou marcada como um reviver das Diretas, um suspirar da marcha dos 100 mil, um ato de rebeldia contra inimigos ocultos da nação, internos e externos. O ato que envolveu movimentos sociais e sindicais de todo o Brasil, partidos da esquerda brasileira e pessoas comprometidas com a democracia teve grande repercussão, e até alguma isenção nas coberturas da imprensa brasileira, preocupada em reduzir a crise de descrédito e desconfiança que sofrem por sua parcialidade não declarada, arroubos de desonestidade intelectual associada a políticas partidárias e empresariais de oposição ao atual governo do país.

A quem esteve nas ruas ficou a clara certeza de que não há mais cabimento para golpes ou impeachments meramente políticos, de descontentes com o resultado das urnas. Diferentemente da derrubada orquestrada contra Fernando Collor, Dilma conta com uma base sólida de movimentos e brasileiros de todas as matizes, que se não concordam com tudo que se faça, vide as MP 664 e 665 que deram mote aos atos de sexta, também não topam a derrubada de um projeto democraticamente eleito.

Mas chamou a atenção no ato em Brasília, onde estive cobrindo, o distanciamento do povo. A Polícia Militar brasiliense, acostumada às manifestações populares naquele recinto, isolou os manifestantes, não permitindo contato mais direto das filas de pessoas que aguardavam ônibus com os manifestantes. Se em parte agiram pela segurança de manifestantes, evitando possíveis ataques de revoltados “out line”, ou “off line”, como queiram, também demonstraram o certo desconhecimento que aquelas pessoas, trabalhadoras em geral voltando para as periferias, demonstraram sobre boa parte do que gritavam manifestantes.

“Não vai ter golpe”, ou “Olê, olê olá, Dilma, Lula”, não são palavras de ordem que expliquem para à população exatamente o que existe por trás das máscaras e filtros da grande imprensa. Se a defesa dos direitos trabalhistas era o mote, e ao mesmo tempo a intenção era demonstrar o que realmente pode combater a corrupção, como o fim do financiamento empresarial de campanha, os movimentos devem repensar suas estratégias de comunicação direta, em plenas ruas. Podem acabar por gerar mais revolta e dar armas ao inimigo do que de fato reorientar as revoltas da população, em geral mais despolitizada por um debate raso como o promovido na maior parte das redes sociais e bancadas de âncoras da parcialidade subliminar, não declarada.

E a força da militância das esquerdas, e novas esquerdas brasileiras, ficou explícita nas ruas, com apoio das maiores centrais sindicais do país, da União nacional dos Estduantes (UNE), do Movimento Sem Terra e de forças de comunicação alternativa como os Jornalistas Livres e nós, dos Comunicadores Pelo Brasil. Mas também deu um recado importante à presidenta Dilma: é preciso deixar claro quem está fazendo a pressão que leva Joaquim Levy a lhe empurrar as medidas impopulares que vem por aí, como a derrubada de direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, sem sequer taxar as grandes fortunas, e mudar de rumo. A ignorância da população, manifesta nos editoriais e redes sociais, empurrada goela abaixo do povo por programas populares de TV, manipulados pelos interesses do grande mercado, segue batendo firme, impondo a agenda dos derrotados contra a presidência da república e o povo. A força que resta à Dilma vem dessa militância do dia 13. Não ouví-la pode ser um erro crasso. Não retomar essa força aglutinada no segundo turno pode ser o golpe em si mesma, afinal. Até porque, se na presidência Dilma levou, no Congresso os interesses empresariais se solidificaram ainda mais, com forças conservadores gritando forte contra a resistência operária. Fazer a vontade deles sem denunciar seus reais absurdos e intentos contra as classes trabalhadoras e periféricas é tudo de que eles precisam para impor suas vontades. E ainda derrubar o projeto que essa mesma massa das ruas desta sexta ajudou a retomar em 26 de outubro, contra toda a máquina midiática e empresarial armada para a derrubada.

Denunciar os pais do golpe e educar a população para a democracia

Interesses de petroleiras norte-americanas, das empresas nacionais como a Ambev, financiadora de estrategias de comunicação de alguns dos movimentos que vão às ruas no domingo (15), e destas elites, que dizem querer combater a corrupção, mas não topam o fim do financiamento privado de campanha, também não podem ser esquecidos. Dar nome aos bois e mostrar a manipulação que grandes empresas e fortunas que não aceitam pagar mais impostos, enquanto as classes trabalhadoras podem perder direitos pode ser crucial para entendermos quem está por trás dessas “revoltinhas on line”. manifestações como a de sexta-feira precisam ir às ruas para mostrar claramente à população quem são os pais desse processo. Mas é preciso fazer muitas outras estratégias de educação popular para que essa democracia seja compreendida. Os anos de despolitização do debate, oferecidos pela imprensa nacional ao povo, só criminalizaram a política e os partidos, somando pouco aos interesses reais que constróem essa democracia. Cabe a esses movimentos gritar em defesa dos mandatos conquistados, pelo aprofundamento da democracia, mas achar estratégias que ajudem a de fato comunicar a população no corpo a corpo, sobre o que efetivamente esta´acontecendo. Sem isso manifestações como a de sexta podem ficar fadadas ao insucesso, de uma democracia com povo iludido, determinada apenas nos processos eleitorais, e não no dia a dia da nação!

Vinicius Borba, dos #ComunicadoresPeloBrasil

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